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Programação

SIMPÓSIO HAROLDO DE CAMPOS 2015

QUE PÓS-UTOPIA É ESTA?

 

Quais as possibilidades de renovação literária e cultural num mundo em crise civilizacional? A crise inviabiliza, desautoriza, ou, ao contrário, potencializa a experimentação e a invenção na literatura? Qual o papel da história literária num mundo de múltiplas tradições culturais? O Simpósio Haroldo de Campos, neste ano, apresenta reflexões de seus convidados sobre esses temas cruciais, motivados pelo ensaio “Poesia e Modernidade: da morte da arte à constelação. O poema pós-utópico”, um dos mais importantes textos de Haroldo de Campos.

 

As inscrições são gratuitas e as vagas limitadas.

Inscrições presenciais ou pelo e-mail: crhc@casadasrosas.org.br

Será fornecido certificado de participação (mínimo de 75 % de frequência)

 

Abertura

 

Dia 25 de setembro de 2015, às 19h30

 

HAROLDO E OCTAVIO PAZ: CONVERGÊNCIAS E AFINIDADES

Celso Lafer

 

Para Octavio Paz, a literatura brasileira – como a mexicana, no âmbito da hispano-americana e também a norte-americana – é uma literatura de fundação. Paz já acompanhava com interesse a poesia brasileira quando, em meados da década de 60 foi apresentado pelo Prof. Celso Lafer a Haroldo de Campos e à Poesia Concreta. A partir de então, Paz e Campos desenvolveram um longo diálogo a respeito da expansão do universo cultural e utópico da Europa e sua contraposição à realidade concreta das Américas. A palestra tratará dessa amizade intelectual que se manteve no restante de suas vidas, alimentada por convergências e afinidades.

 

Celso Lafer, professor titular de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da USP, é Presidente da FAPESP – Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo.Foi Ministro das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e é membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Brasileira de Letras

 

 

Mesas               

 

Dia 26 de setembro de 2015, às 10h30

 

PÓS-UTOPIA, ANTROPOFAGIA E CRISE

 

Museus de tudo

Eduardo Sterzi

 

Na poesia brasileira, o arco da modernidade parece ter-se inclinado cada vez mais rumo a uma poética da tábula rasa. O concretismo, neste sentido, pode ser considerado como o fechamento da história da poesia moderna entre nós. Fechamento dialético, porém: aos poetas contemporâneos coube a tarefa quase messiânica de reabrir a história da poesia brasileira. Cada obra poética, agora, é uma espécie de museu de tudo. Os escritos – tanto poéticos quanto teóricos – de Haroldo de Campos tiveram papel decisivo nessa viragem.

 

Eduardo Sterzi é professor de Teoria Literária na Unicamp. Possui dois pós-doutorados, um pela USP e outro pela Universidade Sapienza. Como poeta, publicou, em 2001, o livro Prosa e em 2009, Aleijão. Publicou, também, Cavalo sopa martelo (teatro), e Por que ler Dante (ensaios), além de organizar Do céu do futuro: cinco ensaios sobre Augusto de Campos.

 

“Antropofagia. Único sistema capaz de resistir quando acabar no mundo a tinta de escrever”

Alexandre Nodari

 

Se o horizonte em que Haroldo de Campos postulou a ideia de uma “poesia pós-utópica” (a que abandona o projeto vanguardista de “uma nova linguagem comum”) era o da “crise dos grandes relatos” (Lyotard), talvez se possa dizer que a catástrofe ambiental em curso que atende pelo nome de Antropoceno seja uma crise do grande Relator, o “Homem”, e de seus avatares – a “civilização”, a idéia de Universal, etc.. Talvez a Antropofagia revele a sua atualidade ao postular um fazer (uma poiesis) que podemos caracterizar, com Haroldo, como não “ontológico, ‘substancialista’, mas (...) simultaneamente diferencial e dialógico – ubicado, desubicado e ubíquo”. 

 

Alexandre Nodari é Doutor em Literatura pela UFSC e Professor do Departamento de Literatura e Linguística da UFPR. Co-fundador do species - núcleo de antropologia especulativa. Foi editor do panfleto político-cultural SOPROe da Editora Cultura e Barbárie. Mantém o blog "partes sem um todo" (http://partessemumtodo.wordpress.com/).

 

Dia 26 de setembro de 2015, às 14h30

 

O PÓS-UTÓPICO EM QUESTÃO

Antonio Risério

 

Com o ensaio “Poesia e Modernidade: da morte da arte à constelação. O poema pós-utópico” Haroldo de Campos repensa a situação da poesia em sua trajetória de conflito com a modernidade e diante de uma avaliação de descrédito do princípio-esperança das vanguardas. A palestra pretende discutir, justamente, a questão central e polêmica do texto: a formulação da “pós-utopia”. Serão debatidos o horizonte em que Haroldo situa sua formulação, as relações que ele estabelece entre utopia/principio-esperança/vanguarda, a crise da utopia e o fim da vanguarda.

 

Antonio Risério é poeta, antropólogo, historiador e ensaísta. Editou revistas de poesia experimental e participou da criação de instituições como a Fundação Gregório de Mattos e o Museu da Língua Portuguesa. Publicou, entre outros, os livros Carnaval Ijexá, Caymmi: Uma Utopia de Lugar, Ensaio sobre o Texto Poético em Contexto Digital, e A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros.

 

Dia 27 de setembro de 2015, às 10h30

 

A CONSTELAÇÃO E A NOITE: O TÉRMITA SILENCIOSO

Raúl Antelo

 

O poema, "Buena dicha", inscreve o poético no plano do aleatório e contingente, como um mero lance de dados. É o que o último Oswald chamava de elemento órfico – “o subterrâneo alimento onde vicejam essas ardentes necessidades irracionais”, para que a poesia possa “monumentaliza(r) a linguagem fixando paixões, comandos, catástrofes, e paraísos”. Haroldo de Campos chamou o órfico oswaldiano de pós-utópico: ele é a finitude da buena dicha. Sua leitura permite que a palavra ressoe como buena dicha. Encerra-se nessa cifra toda a temática do cerimonial, oscilando entre novo e velho, abjeto e sublime, irrisório e solene, isto é, a constelação e a noite.

 

Raúl Antelo é professor titular na Universidade Federal de Santa Catarina. Foi Guggenheim Fellow e professor visitante nas Universidades de Yale, Duke, Texas at Austin, Maryland, Autónoma de Barcelona e Leiden, na Holanda. É autor, entre outros, de Crítica acéfala, Maria com Marcel - Duchamp nos trópicos, Alfred Métraux: antropofagia y cultura e Imágenes de América.

 

Dia 27 de setembro de 2015, às 14h30

 

HAROLDO DE CAMPOS E A HISTÓRIA LITERÁRIA

 

Constelações utópicas: reconhecimento e reinvenção no projeto poético de Haroldo de Campos

Diana Junkes

 

Haroldode Campos, como se sabe, é autor de obra vasta, instigante e recriadora da tradição. Se observado a partir da relação com o cânone, o trabalho criativo de Haroldo assume uma articulação entre a utopia de vanguarda e outra, mais amplamente voltada para o diálogo e reinvenção da tradição, a que se pode chamar utopia fáustica. Por outro lado, apesar dessas duas linhas de força, no ensaio Poesia e modernidade, da morte do verso à constelação, o poema pós-utópico, Haroldo defende a necessidade de uma poesia crítica “do futuro e de seus paraísos sistemáticos”. Parece oportuno refletir sobre reconfiguração das constelações utópicas que iluminam a obra do poeta e sua relação com a poesia da agoridade do incansável “Cosmonauta do Significante”.

 

Diana Junkes – É doutora em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP/Araraquara). Foi Visiting Scholar da Universidade de Illinois e Visiting Fellow da Universidade de Yale, ambas nos EUA. É professora de Teoria Literária e Literatura Brasileira da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar. 

 

Perspectivas pioneiras: historiografia e cartografia (welt)literárias  nas Galáxias de Haroldo de Campos

Jasmin Wrobel

 

Galáxias marca um ponto de virada na obra de Haroldo de Campos. Jasmin Wrobel pretende mostrar como Haroldo de Campos sintetiza, no “umbigodomundolivro” Galáxias, por meio de um recorte sincrônico, seus interesses teóricos como a exploração da obra moderna como “obra de arte aberta”, ou o (neo)barroco, entre outros. Neste contexto, busca questionar até que ponto as Galáxias teriam uma função catalisadora para todas as diferentes dimensões criadoras do poeta paulistano. Procura, ainda, focalizar a pluralidade de vozes nas Galáxias perguntando-se em que medida sua “proesia” pós-histórica poderia ser (re)interpretada como uma nova forma de “global writing”.

 

Jasmin Wrobel é pós-graduada em Filologia Românica e Literatura Comparada pela Ruhr-Universität Bochum (Alemanha) e pesquisadora no Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Livre de Berlim. Foi bolsista residente do Programa Haroldo de Campos de Incentivo à Pesquisa e à Tradução, do Centro de Referência Haroldo de Campos – Casa das Rosas.

 

 

 

CASA DAS ROSAS – ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA

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