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Agenda

Evento Especial

SIMPÓSIO HAROLDO DE CAMPOS 2020: UM PASSADO CONTEMPORÂNEO

24/09 às 18h | atividade realizada online

SIMPÓSIO HAROLDO DE CAMPOS 2020

 

UM PASSADO CONTEMPORÂNEO

De 24 a 26 de setembro de 2020

Inscrições: de 25 de agosto a 22 de setembro,

que podem ser feitas, gratuitamente, clicando aqui.

 

Uma das ideias que mais marcaram o pensamento e a atuação crítica de Haroldo de Campos foi a de poética sincrônica, apreendida na obra de Ezra Pound e nos textos de Roman Jakobson. Ela implica uma abordagem crítica da história literária que busca selecionar “aquela parte da tradição literária que, para o período em questão, permaneceu viva ou foi revivida”, nas palavras de Jakobson. Esta abordagem embasou as revisões do cânone realizadas por Haroldo e Augusto de Campos nos anos 60 e 70 do século passado. Entretanto, nessas revisões prevalecia o critério estético. Nos anos recentes, outras revisões têm sido feitas no cânone, desta vez destacando a necessidade de rever exclusões históricas com motivação sociopolítica, racial, de gênero ou cultural. O Simpósio Haroldo de Campos deste ano pretende proporcionar uma reflexão sobre essas contribuições para o pensamento literário brasileiro.

 

Palestras

(com transmissão online, pelo Google Meet, em link a ser enviado para o e-mail deixado na ficha de inscrição)

Será fornecido certificado de participação.

 

 

Dia 24 de setembro, quinta, às 18h

Mesa

RE-VISÕES E TRANSCRIAÇÕES

 

AS REVISÕES DO CÂNONE LITERÁRIO PROMOVIDAS PELOS POETAS CONCRETOS

Por Omar Khouri

 

A atuação do Grupo Noigandres, considerando-se a sua formação inicial, deu-se em várias frentes, sendo as principais: a Poesia, propriamente, Teoria e Crítica de linguagens e Tradução, entendida como uma categoria da criação. Dada a sua radicalidade e rigor, a crítica efetuada pelos componentes do grupo recendia a militância, pois implicava defesa de ideias. Elaborar um elenco de autores fundamentais e reabilitar nomes mal-lidos ou sequer lidos foi uma das consequências desse empenho crítico dos componentes do Grupo: Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos, tendo cabido a este último boa parte da teorização, valendo-se fundamentalmente de formulações de Ezra Pound, como a noção de paideuma e a formulação de Roman Jakobson de uma poética sincrônica. Haroldo de Campos, sugerindo uma antologia da poesia brasileira de invenção, legou-nos as coordenadas com as quais chegamos a editar oito antologias, com abrangência mundial, visando a fins pedagógicos. As revisões levadas a efeito pelos poetas concretos paulistas, elevaram e ampliaram repertórios e enriqueceram nosso patrimônio poético-literário.

 

Omar Khouri: Pirajuí-SP Brasil 1948. Graduado em História pela USP, Mestre e Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Livre-Docente em Teoria e Crítica da Arte pelo IA-UNESP, Pós-Doutor pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Professor Adjunto no Departamento de Artes Plásticas do IA-UNESP, campus de São Paulo-Brasil - aposentado, atua como colaborador/voluntário. Poeta, artista gráfico, editor, historiador, crítico de linguagens, curador - elabora, atualmente, uma prosa ficcional de caráter experimental. Poemas publicados em revistas: Código, Artéria, Qorpo Estranho, Atlas etc. Participou de exposições coletivas de Poesia Intersemiótica no Brasil e em outros países (EUA, Holanda, Portugal, Itália…). Co-editor na Nomuque Edições, desde 1974. Exerceu, profissionalmente, a Docência, desde o ano de 1970. Reside em São Paulo.

 

SOBRE MACARRÔNICOS E PROMETEICOS (OU BREVE HISTÓRIA SINCRÔNICA DA TRADUÇÃO CRIATIVA EM TRÊS ATOS)

Por Gustavo Reis Louro

 

Assim como Haroldo de Campos, junto com seus companheiros concretos, criou os precursores de sua própria poesia a partir da noção de paideuma de Ezra Pound, também seu método tradutório encontra precursores, que o próprio Haroldo faz questão de registrar. O processo de revisão sincrônica do cânon efetuado por Haroldo contempla atenção especial aos tradutores. 

 

Nesta comunicação, vamos nos dedicar ao processo re-visão que Haroldo fez de três tradutores do século XIX: além do já frequentemente lembrado Odorico Mendes, tradutor de Homero e Virgílio, vamos lembrar também Eloi Ottoni, que fez uma versão do livro de Jó (também traduzido por Haroldo) e Ramiz Galvão, que fez uma versão poética da tragédia Prometeu Acorrentado de Ésquilo, a partir de uma tradução do imperador Pedro II. 

 

Gustavo Reis Louro nasceu no Rio de Janeiro, onde se graduou em Letras em 2013, pela UFRJ e concluiu o mestrado em teoria literária na mesma universidade.  Atualmente, está concluindo o doutorado na Universidade Yale, nos EUA, onde trabalha numa tese sobre a revisão que Haroldo de Campos faz do cânon de Antonio Candido na Formação da Literatura Brasileira.

 

 

 

Dia 25 de setembro, sexta, às 18h

Mesa

DUAS REVISÕES RECENTES

 

O “MERETRILHO” DE MARIA DO CARMO FERREIRA

Por Felipe Paros

 

A poeta mineira Maria do Carmo Ferreira foi a única brasileira a publicar nas páginas de uma publicação concreta, no caso, o sexto e último volume de “Invenção” (1967/1968): com “Meretrilho”, ela aproximou-se publicamente do paideuma do movimento como nenhuma outra mulher havia feito até então, tornando-se dessa forma uma precursora para a geração de poetas experimentadoras surgida no Brasil entre os anos 70 e 80.

 

Felipe Paros é doutorando em Artes pela Unesp e professor do Departamento de Artes da Universidade Federal de Rondônia. Desenvolve pesquisas sobre publicações da vanguarda poético-construtiva no Brasil e em Portugal, atualmente com especial foco na produção e veiculação de obras de mulheres.

 

A DIFERENÇA COMO ESTÉTICA DA SEPARAÇÃO E DESEJO DE RECONHECIMENTO

Por Eliane Marques

 

Maria Firmina dos Reis, em Úrsula (1859), reformula em novas bases estético-políticas um mundo pré-datado, refundando o jogo da reciprocidade. Restituição e reparação, como estética, estão no centro do seu texto literário. Nesse sentido, ela lança uma pergunta que, mais tarde, Achebe, Adichie, N. wa Thiongo tratariam de responder – pode-se falar de uma estética estranha a compromissos políticos?

 

Eliane Marques – poeta, ensaísta, editora, coordenadora da Escola de Poesia e do projeto orísun oro. Publicou “Relicário” (Grupo Cero, 2009) e “e se alguém o pano” (Escola de Poesia, 2015, Prêmio Açorianos na categoria Poema-2016). Com outras autoras, publicou “Arado de palavras” (Grupo Cero, 2008) e “Blasfêmeas: mulheres de palavra” (Casa Verde, 2016). Traduziu “O Trágico em Psicanálise”, de Marcela Villavella (Ediciones Psicolibros, 2012) e “Pregón de Marimorena”, de Virginia Brindis de Salas, para a editora Figura de Linguagem (no prelo). Acaba de concluir a revisão de seu novo poemário “O poço das Marianas” a ser publicado em novembro. Especialista em Economia, Política e Direitos Fundamentais. Mestre em Direito Público. Auditora Pública Externa do TCE/RS.

 

 

Dia 26 de setembro, sábado, às 16h

Mesa

SINCRONIA E CANIBALIZAÇÃO

 

REVERBER(R)AÇÕES DA FÚRIA LINGUAGEIRA NEGRA DE LUIZ GAMA

Palestra-performance

Por Ricardo Aleixo

 

A palestra-performance de Ricardo Aleixo faz da poética rebelionária de Luiz Gama (1830-1882) o ponto de partida para, em perspectiva sincrônica, colocar em destaque uma “antitradição” de autoria negra, em poesia, que equaliza empenho ético-político e invenção de linguagem. Arnaldo Xavier, Ronald Augusto, Mano Brown, Anelito de Oliveira, Eliane Marques e Stephanie Borges são alguns dos nomes convocados por Aleixo para reverber(r)ar as lições do autor do clássico “Quem sou eu?”, mais conhecido como “Bodarrada”, que Haroldo de Campos tinha a intenção de incluir em sua projetada Antologia da Poesia Brasileira de Invenção.     

 

Ricardo Aleixo (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1960). Poeta, músico, produtor cultural, artista plástico e editor. Autodidata, atua em diversas áreas, sobretudo nas poéticas experimentais com a voz. Fez sua estreia na poesia em 1992, com o livro Festim. Em Belo Horizonte, foi curador do Festival de Arte Negra - FAN, e coordenou projetos como 30 Anos da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, Tricentenário de Zumbi e a Bienal Internacional de Poesia. Fez curadoria de diversas exposições, como Sebastião Nunes: 30 Anos de Guerrilha Cultural e Estética de Provocaçam. Publicou  livros como Impossível como nunca ter tido um rosto, Modelos vivos e Antiboi. Como performer, já se apresentou em vários países e, mais recentemente, na Flip de 2017.

 

 

"RECANIBALIZAÇÃO DA POÉTICA": A ANTOLOGIA SINCRÔNICA DE HAROLDO DE CAMPOS COMO PROPOSTA DESCOLONIZADORA

Com Lucio Agra

 

Em um artigo da série dos anos 80, publicado em Metalinguagem & Outras Metas, Haroldo de Campos comenta o encontro de Oswald de Andrade e Blaise Cendrars buscando inverter os termos pelos quais se poderia supor o segundo, europeu, como influenciador do primeiro. Na enunciação da manobra antropofágica de Oswald, Haroldo acaba por situar o movimento proposto pelo poeta na raiz da sua própria Antologia Sincrônica. Com base neste e em outros ensaios de sua vasta bibliografia, nossa discussão procura uma arqueologia da mirada sincrônica no "canibal antologista", denominação que Haroldo concede a Oswald. A discussão pretende "desentranhar" das fontes filosóficas que Haroldo movimenta - Derrida, Benjamin, Marx, e mesmo acenos virtuais a Deleuze - a proposição decolonial que, a meu ver, encontra-se na Antropofagia de O. de A. e na Antologia projetada por Haroldo de Campos. 

 

Lucio Agra - professor do Cecult - Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias da UFRB, artista da performance, pesquisador, autor de diversos ensaios publicados no Brasil e no exterior. Seu livro mais recente é Decio Pignatari, a vida em noosfera (Educ, 2017).

CASA DAS ROSAS
ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA
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