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Agenda

Evento Especial

SIMPÓSIO HAROLDO DE CAMPOS 2019: Cosmopoética de Haroldo de Campos

24/08 das 10h30 às 19h

Sábado, 24 de agosto de 2019, das 10h30 às 19h

 

Num poema em homenagem a Haroldo de Campos, publicado recentemente na nona edição da revista Circuladô, o poeta espanhol Andrés Sánchez Robayna descreveu Haroldo a se aproximar levando nas mãos “un son-/oro sol interior que alumbra el mundo”. Não é rara, nem gratuita, esta associação de Haroldo com imagens de magnitude e extensão cosmológicas. De fato, é corrente a percepção de que o autor de Xadrez de Estrelas e Finismundo se impôs desafios de grande amplitude.

 

Como crítico, propôs a “apropriação crítica de uma "pluralidade de passados"” e a atenção à “pluralização das poéticas possíveis” num presente de trânsitos transespaciais e transtemporais. Como tradutor, entendeu a tradução como “apropriação transgressiva” a contribuir para o jogo intertextual “onde os elementos locais se mesclam aos "estilemas" universais”. Como poeta, a envergadura do alcance de suas imagens e temas – mesmo um motivo clássico como a Máquina do Mundo – nunca o fez sucumbir a uma linguagem poética acomodada a formas consagradas, motivando, sempre, em sua criação, a exploração de novos modos de dizer.

 

Neste ano em que a Casa das Rosas celebra os 90 anos de nascimento de Haroldo, o Simpósio Haroldo de Campos recebe importantes estudiosos de sua obra, do Brasil e do exterior, para apresentar pesquisas recentes que abordam as nuances e as ousadias da imbricação de criação, tradução e crítica que caracteriza seu trabalho – sua cosmopoética.

 

Julio Mendonça

Coordenador do Centro de Referência Haroldo de Campos

 

 

Inscrições gratuitas

Vagas limitadas. Faça sua inscrição online, neste link, ou presencialmente, na recepção da Casa das Rosas.

Será fornecido certificado de participação para os que completarem 75% de presença do total de mesas.

 

 

Abertura, às 10h

 

Palestra

Poemas "longos" de Haroldo de Campos: extensão e concisão

Por Horácio Costa

 

Parte dos leitores ainda associam a poesia concreta a essa busca e preferência da poesia concentrada em poucos versos. Sem embargo disso, a obra haroldiana está pontuada por poemas razoavelmente, senão literalmente, extensos. Esta palestra estará concentrada em três deles: "Opúsculo goethiano", I e II (de A educação dos cinco sentidos, 1985), "Réquiem" (de Entremilênios, póstumo, 2009), e A máquina do mundo repensada (2000), através dos quais buscará frisar que Haroldo encontra uma dicção na qual "extensão" e "concisão" não são termos necessariamente antinômicos. 

 

Horácio Costa é poeta, crítico, tradutor, professor universitário. Diplomado em Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo-USP, 1978; Master of Arts, New York University, 1983; Doctor of Philosophy (PhD), Yale University, 1994. Foi professor titular da Universidade Nacional Autônoma do México-UNAM; É professor-doutor na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Sua obra poética foi traduzida ao espanhol, inglês, francês, alemão, italiano, catalão, sueco, búlgaro, romeno e macedônio.

 

 

14h

 

Mesa

HAROLDO E O PENSAMENTO CONSTRUTIVO ALEMÃO

Mediação: Reynaldo Damazio

 

A relação entre o Grupo Noigandres e a Escola de Stuttgart no processo de internacionalização da Poesia Concreta

Por Simone Homem de Mello

 

A partir do início dos anos 1960, com o intenso intercâmbio entre Haroldo e o casal Max Bense e Elisabeth Walther-Bense, a literatura dos representantes das vanguardas alemã e brasileira passou a ser traduzida, exposta e publicada reciprocamente nos dois países. Este capítulo da história das vanguardas dos anos 1960 e de sua propagação internacional será abordado nesta apresentação, que tem como fonte a correspondência entre Haroldo de Campos e o casal Bense/Walter.

 

Simone Homem de Mello é autora e tradutora literária. Escreveu Orpheus Kristall (libreto de ópera, 2002), Périplos (poesia, 2005), Keine Stille auβer der des Windes (libreto, 2007), Extravio marinho (poesia, 2010), UBU – Eine musikalische Groteske (libreto, 2012), Terminal à Escrita (poesia, 2015). Como tradutora, dedica-se à poesia moderna e contemporânea de língua alemã.

 

Haroldo de Campos, amigo de Bill e Bense: uma gentil dissidência dos “prazeres precisos”

Por Lucio Agra

 

A palestra tratará da reverberação das concepções da escola Bauhaus na cultura brasileira, em particular no momento de emergência da Poesia Concreta e do Tropicalismo (anos 50 e 60). A base da discussão tem de ver com a proximidade de Haroldo de Campos com Max Bense e Max Bill, a Universidade de Stuttgart a Escola de Ulm. Os dilemas, tensões e contradições desse processo são vistos na medida do avanço de novas perspectivas artísticas no curso dos anos 60, culminando com a publicação do livro A arte no horizonte do provável , de Haroldo, em 1969.

 

Lucio Agra é performer, poeta e professoradjunto da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Tem experiência na área de Comunicação e Artes, com ênfase em Semiótica das Artes, atuando principalmente nos seguintes temas: poesia - poética - arte e tecnologias - performance - vanguardas e teorias da comunicação. Publicou História da Arte do Século XX - Idéias e Movimentos (Editora Anhembi-Morumbi, 2004) e Monstrutivismo – reta e curva das vanguardas (Ed. Perspectiva, 2010).

 

 

16h

 

Mesa

SOBRE A POESIA DE HAROLDO DE CAMPOS

Mediação: Julio Mendonça

 

A máquina do mundo repensada: a desordem entrópica da poesia

Por Raquel Campos

 

O tema central da palestra será a trajetória científica presente em A máquina do mundo repensada, cristalizada nas figuras de Ptolomeu, Newton e Einstein, e como isso se apresenta ao longo da “cosmoepopeia” de Haroldo de Campos. As descobertas científicas tornam-se parte da obra de Haroldo e o aparente equilíbrio da terza rima é quebrado pela coda final, instaurando iconicamente a desordem no poema, num lance imprevisto que arrebata o leitor.

 

Raquel Campos é doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura na Universidade de Brasília (com Doutorado Sanduíche na Universidade Yale [EUA]). Sua tese "Entre vivas e vaias: a visualidade concreta de Augusto de Campos" analisa poeticamente rascunhos inéditos do poeta Augusto de Campos. Publicou artigos nos livros Os efeitos do autoritarismo (2018), Cada vez o impossível: Derrida (2015), Pensamento Intruso: Jean-Luc Nancy e Jacques Derrida (2014) e Alegorias da poesia (2014).

 

Sinestesias e modernidade. Analogias e correspondências na Educação dos cinco sentidos

Por Luiz Carlos de Brito Rezende

 

A palestra aborda o empenho de Haroldo por uma linguagem pura pela metaforização do eixo metonímico e a reivindicação de um humanismo revolucionário através do fazer poético. Análise do desenvolvimento deste fazer poético desde os "poemas programáticos" da Educação dos Cinco Sentidos até aos poemas "militantes" dos anos 90, percurso que permite desfazer a imagem do poeta formalista encerrado em sua torre de marfim. 

 

Luiz Carlos de Brito Rezende é poeta e tradutor literário, tendo traduzido notadamente a Educação dos cinco sentidos em francês (1989, nova edição  ampliada para o próximo ano) e os "Exercícios de Estilo" de Raymond Queneau em português (Imago, 1995).

 

Paródias do céu: poesia, crítica e tradução de Haroldo de Campos

Por Eduardo Jorge

 

Seja através do céu (Signatia quasi coelum), das estrelas (Xadrez de estrelas), do arco-íris (O arco-íris branco), das Galáxias, de livros bíblicos (Bere’shith, Qohélet, Éden) ou de A máquina do mundo repensada, Haroldo de Campos elaborou uma espécie de paródia infinita, proliferada de “cantos paralelos” entre poesia, crítica e tradução, e  recuperou nas formas literárias e na própria história uma “emoção estética” vinculada tanto com Walter Benjamin quanto com Stéphane Mallarmé.

 

Eduardo Jorge é professor assistente de Literatura Brasileira (Literatura, Artes, Media) da Universidade de Zurique – UZH. É investigador do Centro de Estudos Latino-americanos e do Centro de Arte e Teoria da Cultura da mesma universidade. Possui doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, em cotutela com a École Normale Supérieure, em Paris. É autor de A invenção de uma pele – Nuno Ramos em obras (Iluminuras, 2018) e Mira Schendel e a escrita da vivência imediata (Lumme Editor, 2019).

 

 

18h

Mesa

A TRADUÇÃO COMO COSMOVISÃO

Mediação: Renan Nuernberger

 

Haroldo de Campos, tradutor de Homero

Por Trajano Vieira

 

Serão abordados alguns dos procedimentos adotados por Haroldo de Campos em sua tradução da Ilíada. Tendo tido a oportunidade de acompanhar o poeta-tradutor nesse trabalho, ao longo de dez anos, Trajano irá se referir aos comentários de Haroldo sobre o processo de recriação do poema homérico.

 

Trajano Vieira é doutor em Literatura Grega pela Universidade de São Paulo (1993), com estágio pós-doutoral na Universidade de Chicago e na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, e desde 1989 professor de Língua e Literatura Grega no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. Além de ter colaborado, como organizador, na tradução realizada por Haroldo de Campos da Ilíada de Homero (2002), tem se dedicado a traduções do repertório grego, como Prometeu prisioneiro de Ésquilo. Recebeu o Prêmio Jabuti em 2008 pela tradução de Agamêmnon, de Ésquilo, e em 2012 pela tradução da Odisséia, de Homero.

 

Transcriação e apropriação da historicidade

Por Marcelo Tápia

 

Com base em artigos de Haroldo de Campos, integrantes do livro Transcriação (2013), será discutida a questão da “construção de uma tradição viva” por meio da “usurpação” da historicidade do texto-fonte.

 

Marcelo Tápia é graduado em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, é doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada e pós-doutorando em Letras Clássicas pela mesma Universidade. Exerce o cargo de diretor da Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo, que inclui a Casa Mário de Andrade e a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. É professor pleno do TRADUSP - Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução da FFLCH-USP. Foi um dos organizadores do livro Haroldo de Campos – Transcriação (ed. Perspectiva) e reuniu sua poesia no livro Refusões - poesia 2017-1982 (ed. Perspectiva).

 

Traduzir diferenças: críticas e paradoxos

Por Márcio Seligmann-Silva

 

A fala apresenta os paradoxos da formação/cultura na sua relação com a história e teoria da tradução. Partindo da Querelle des Anciens et des Modernes e do modelo monológico da cultura, ela apresenta, em seguida, o modelo aberto de identidade defendido pelo primeiro romantismo alemão e por uma certa tradição poética. O poeta e tradutor Haroldo de Campos é apresentado como expoente desse contramodelo crítico e aberto de identidade. 

 

Márcio Seligmann-Silva é professor titular de Teoria Literária na UNICAMP e pesquisador do CNPq. Possui mestrado em Letras (Língua e Literatura Alemã) pela Universidade de São Paulo, doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Freie Universität Berlin, com pós-doutorado em Berlim e por Yale. É autor dos livros Ler o Livro do Mundo. Walter Benjamin: romantismo e crítica poética ( 1999, vencedor do Prêmio Mario de Andrade de Ensaio Literário da Biblioteca Nacional em 2000), Adorno ( 2003), O Local da Diferença. Ensaios sobre memória, arte, literatura e tradução (2005, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Melhor Livro de Teoria/Crítica Literária 2006), Para uma crítica da compaixão (2009) e A atualidade de Walter Benjamin e de Theodor W. Adorno (2009).

 

 

 

 

 

CASA DAS ROSAS
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